Saramago nunca roubou uma idéia minha.
Saramago nem de longe escreveu sobre alguma coisa pensada por mim.
Saramago só saberá muito mais tarde que foi um modelo pra mim.
João Ubaldo Ribeiro nunca roubou uma idéia minha.
João Ubaldo Ribeiro nem de longe escreveu sobre alguma coisa pensada por mim.
João Ubaldo Ribeiro nem mesmo chegou a ser um modelo pra mim.
É bom que me explique:
Saramago escreve sobre temas que me afligem, digamos assim. Saramago fez inovações formais na sua escrita. Parece fácil, mas é muito complicado. Saramago mora numa das Ilhas Canárias.
Saramago tem um livro rejeitado que até hoje não foi publicado. Seu segundo romance foi escrito 30 anos após o primeiro.
Saramago nasceu em novembro (ele não lerá isto, pois consideraria uma grande bobagem; ainda bem).
João Ubaldo Ribeiro foi criado no açoite da literatura, no chicote do dicionário e no ferrão da gramática e de provas orais perante o pai, diariamente. E seu pai era autoritaríssimo.
João não ficou traumatizado, ao contrário, entrou pra Academia Brasileira de Letras aos 52 anos de idade.
João Ubaldo Ribeiro não acha que haja mosquitos em Itaparica. Longe disso! Em Itaparica morrem, vivem e tornam a morrer todos ou quase todos os seus personagens.
João Ubaldo Ribeiro traduziu "Viva o Povo Brasileiro" para o inglês (havia traduzido "O Sargento Getúlio"), idioma no qual é fluentíssimo.
João Ubaldo Ribeiro não lerá o que escrevo, portanto, não ficará furioso ao saber que destaquei que ele não nasceu em novembro.
Elizabeth Gilbert, sim! Ahhhhhha. Elizabeth Gilbert roubou minha idéia. E foi mais além na sua ousadia: colocou a idéia em prática.
segunda-feira, novembro 30, 2009
sexta-feira, novembro 27, 2009
The Thanksgiving Day



O Dia de Ação de Graças vem a ser o feriado nacional mais importante para a família norte-americana. Sim, senhores. Mais importante que o Natal.
O sentido deste feriado é celebrar a prosperidade e agradecer por ela.
O primeiro TD se deu em 1621, em Plymouth (MA), quando após o rigoroso inverno de 1620, os colonos ingleses obtiveram uma colheita abundante, se consideraram aptos a viver no Novo Mundo e resolveram agradecer a Deus e comemorar com um farto banquete.
Isto teria ocorrido no final do outono, quando se encerram as colheitas.
Somente 200 anos depois é que o feriado se tornou oficial, por proclamação do presidente Lincoln, estabelecendo que seria comemorado no último dia de novembro (1863). Naqueles idos o feriado era regional. Em 1941 o presidente Roosevelt assinou o projeto de lei determinando que a comemoração seria na 4ª quinta feira de novembro.
Os símbolos do TD são elementos do cultivo e da culinária simples do norte dos EUA, ancorada naquele primeiro banquete coletivo e ao ar livre, com perus, batata doce, milho e molho de amoras.
Os índios nativos (os Wampanoag) tiveram uma importância fundamental na sobrevivência e adaptação dos europeus ao Novo Mundo: ensinaram-lhes o cultivo do milho e de outros alimentos, e a reconhecer e a evitar as plantas que eram venenosas. Lamentavelmente seu thanksgiving não foi dos mais amáveis, pois vieram a ser massacrados pelo "invasor".
É uma data em que as famílias se reúnem para um festival gastronômico e para uma convivência de um fim-de-semana prolongado, onde são feitas as devidas atualizações dos laços e das histórias familiares.
O sentido deste feriado é celebrar a prosperidade e agradecer por ela.
O primeiro TD se deu em 1621, em Plymouth (MA), quando após o rigoroso inverno de 1620, os colonos ingleses obtiveram uma colheita abundante, se consideraram aptos a viver no Novo Mundo e resolveram agradecer a Deus e comemorar com um farto banquete.
Isto teria ocorrido no final do outono, quando se encerram as colheitas.
Somente 200 anos depois é que o feriado se tornou oficial, por proclamação do presidente Lincoln, estabelecendo que seria comemorado no último dia de novembro (1863). Naqueles idos o feriado era regional. Em 1941 o presidente Roosevelt assinou o projeto de lei determinando que a comemoração seria na 4ª quinta feira de novembro.
Os símbolos do TD são elementos do cultivo e da culinária simples do norte dos EUA, ancorada naquele primeiro banquete coletivo e ao ar livre, com perus, batata doce, milho e molho de amoras.
Os índios nativos (os Wampanoag) tiveram uma importância fundamental na sobrevivência e adaptação dos europeus ao Novo Mundo: ensinaram-lhes o cultivo do milho e de outros alimentos, e a reconhecer e a evitar as plantas que eram venenosas. Lamentavelmente seu thanksgiving não foi dos mais amáveis, pois vieram a ser massacrados pelo "invasor".
É uma data em que as famílias se reúnem para um festival gastronômico e para uma convivência de um fim-de-semana prolongado, onde são feitas as devidas atualizações dos laços e das histórias familiares.
Obviamente a macaquice de imitação trouxe o Dia de Ação de Graças para o Brasil. Ora, um Dia de Ação de Graças é sempre muito louvável, mas deveria ter ao menos uma contextualização nativa, como é o caso dos EUA e Canadá. Ocorre que o embaixador Joaquim Nabuco achou bacanas as comemorações em Nova Iorque e o presidente Dutra sacramentou a lei. Típico.
Os primeiros passageiros do Mayflower a aportar no Mundo Novo chegaram para construir e estabelecer ali uma vida que consideravam impossível ter na Europa. Não foram invasores. Não eram degredados. Levaram as famílias, as crenças e os valores morais elevados; construíram vilas e cidades; foram os principais atores na formação do povo e do país mais poderoso do planeta.
Ponhamo-nos a pensar.
quarta-feira, novembro 25, 2009
A Estrondosa Vida Amorosa dos Gatos
São 3:39 da madrugada do dia 25/11/09. Fui acordada por barulho, gritos, miados e latidos.
Saí da cama e fui pra varanda ver o que se passava.
O barulho era o de uma forte discussão, curiosamente entremeada por sussurros indefinidos.
Vou para o Google, que afinal é pra onde devemos ir se não queremos desaproveitar o tempo, e se a curiosidade é suficiente, e encontro um cardápio vasto.
Pois bem. Leio um artigo muito bem escrito no site "Os Gatos". Parece que é um site português. Não há a identificação do(a) autor(a).
Aprendo um pouquinho mais quando leio que o comportamento do felino durante a cópula em nada se compara ao de qualquer outro animal doméstico.
É o seguinte: a fêmea se deixa levar de um elevado grau de incitabilidade sexual para um acesso de agressividade num piscar de olhos. Assim que se realizam os trabalhos a gata emite um som muito alto e agudo e separa-se violentamente do gato, podendo, se facilitar, mandar uma tapona nas fuças dele.
O intercurso sexual dos gatos é muito parecido com uma briga verdadeiramente feia e assustadora.
Mas o mais incrível é que o casal pode repetir a extravagante experiência de 10 a 20 vezes num mesmo dia!
Agora mesmo volto a ouvir miados que em muito se assemelham ao choro de crianças de colo. Só que mais dramáticos.
Diz o texto que os machos são dados mais à "vagabundagem" que as fêmeas - sem maiores explicações; diz a seguir que as fêmeas, por terem um período definido de cio, podem copular com vários machos diferentes (é certo que elas procuram os mais fortes e bonitos, aqueles que dominam a paisagem...).
A coisa mais interessante do texto é a informação de que os felinos (sejam os domésticos, sejam os de grande porte) formam um "casal provisório" quando a fêmea está no cio.
Normalmente os tigres e os leões levam uma vida solitária e só se juntam às fêmeas durante o cio, permanecendo com elas apenas alguns dias.
Gostei de saber que o leão é um felino social que pratica a poligamia.
Dificilmente se verá no reino animal felino aquela situação humana típica de "DR" - discutir a relação.
São 4:04 agora. Parece que os gatos foram cantar em outra freguesia. Eu e a cachorrada poderemos voltar a dormir em paz.
Saí da cama e fui pra varanda ver o que se passava.
O barulho era o de uma forte discussão, curiosamente entremeada por sussurros indefinidos.
Vou para o Google, que afinal é pra onde devemos ir se não queremos desaproveitar o tempo, e se a curiosidade é suficiente, e encontro um cardápio vasto.
Pois bem. Leio um artigo muito bem escrito no site "Os Gatos". Parece que é um site português. Não há a identificação do(a) autor(a).
Aprendo um pouquinho mais quando leio que o comportamento do felino durante a cópula em nada se compara ao de qualquer outro animal doméstico.
É o seguinte: a fêmea se deixa levar de um elevado grau de incitabilidade sexual para um acesso de agressividade num piscar de olhos. Assim que se realizam os trabalhos a gata emite um som muito alto e agudo e separa-se violentamente do gato, podendo, se facilitar, mandar uma tapona nas fuças dele.
O intercurso sexual dos gatos é muito parecido com uma briga verdadeiramente feia e assustadora.
Mas o mais incrível é que o casal pode repetir a extravagante experiência de 10 a 20 vezes num mesmo dia!
Agora mesmo volto a ouvir miados que em muito se assemelham ao choro de crianças de colo. Só que mais dramáticos.
Diz o texto que os machos são dados mais à "vagabundagem" que as fêmeas - sem maiores explicações; diz a seguir que as fêmeas, por terem um período definido de cio, podem copular com vários machos diferentes (é certo que elas procuram os mais fortes e bonitos, aqueles que dominam a paisagem...).
A coisa mais interessante do texto é a informação de que os felinos (sejam os domésticos, sejam os de grande porte) formam um "casal provisório" quando a fêmea está no cio.
Normalmente os tigres e os leões levam uma vida solitária e só se juntam às fêmeas durante o cio, permanecendo com elas apenas alguns dias.
Gostei de saber que o leão é um felino social que pratica a poligamia.
Dificilmente se verá no reino animal felino aquela situação humana típica de "DR" - discutir a relação.
São 4:04 agora. Parece que os gatos foram cantar em outra freguesia. Eu e a cachorrada poderemos voltar a dormir em paz.
segunda-feira, novembro 09, 2009
Crianças de Domingo
Daniel Bergman, hoje com 47 anos de idade, dirigiu "Crianças de Domingo" aos 40 anos, baseado em uma história escrita por seu pai, Ingmar Bergman. Ingmar era filho de pastor protestante, fato sobre o qual é muito espinhoso tecer comentários. No texto de "Crianças de Domingo" Ingmar procura entender e se entender com o pai, mas também se coloca como a pessoa que era. Ser filho de pastor na Suécia, numa época em que os casamentos eram arranjados e havia uma certa pompa em tudo - é só rever Fanny e Alexander - não foi fácil para uma criança de domingo.
Ingmar nasceu em 1918.
Daniel faz um belíssimo filme com a história do pai e do avô. Eu o vi no cinema apenas uma vez e foi marcante. O filme foi lançado em 1992 (Söndagsbam).
Os suecos acreditam que as crianças nascidas no domingo têm uma sensibilidade especial.
Eu nasci num domingo, às 11 horas da manhã.
Poderia não haver sol, mas havia luz e claridade. Os primeiros dias de novembro não costumam ter o tempo firme. Nasci, pelo que sei, num dia meio "enferruscado".
Havia a luz do dia, acima das nuvens e do mau tempo.
Desde então peguei a claridade das 11 da manhã e tentei torná-la em luz e clareza.
Fui uma criança de domingo na acepção sueca do termo. Meu campo de consciência, de audição, de visão, de percepção sempre foram aguçados.
Precoce em muitos aspectos, tenho memórias bem remotas, por exemplo, de uma noite em que não me sentia bem e chamava por minha mãe... quem veio foi meu pai e perguntou como se pergunta a um adulto "o que é que você quer?". Naquela pergunta dissolveu-se o mal estar anterior dando lugar a um sentimento sólido atravessado na garganta, sentimento de incompreensão do que era o que eu queria, afinal? Como eu poderia (no sentido de ter capacidade) transmitir a meu pai o que eu queria, se eu estava chamando por minha mãe?
Quando se chama pela mãe é porque não sabemos o que queremos, ou sabemos que o consolo da mãe resolverá o mal estar, sem precisarmos saber o que nos incomoda.
Como Ingmar precisei exorcizar coisas que acontecem a todas as crianças, mas que com as crianças de domingo adquirem outra dimensão.
As crianças de domingo necessitam de âncora afetiva, não de puxões de orelha ou perguntas inadequadas.
Crianças de domingo precisam de uma ausculta toda especial. Não é com paus e pedras e dogmas e tábuas de mandamentos que as crianças de domingo vão se adequar ao mundo.
Também não é com preconceitos, julgamentos e condenações.
Gosto de pensar em mim como um espermatozóide valente e campeão numa corrida com milhões de concorrentes! A quantidade enorme de gametas numa fecundação se deve ao elevado número de obstáculos a vencer.
Alcançar a existência exige desde o início a superação de obstáculos.
Tenho pesar em avaliar o quanto uma criança sofre, por ser incompreendida, exigida demais, atada, calada e reprimida. Tenho pelas crianças um sentimento enorme de compaixão, pois carregam fardos quase insuportáveis. É preciso continuar sendo aquele espermatozóide valente e campeão o tempo todo!
Quem trabalha com crianças sabe o quanto o mundo adulto prevarica e abusa delas. Não há maldade nisso. O mundo é que não foi formatado pra incluir as crianças em sua estrutura. O mundo olha apenas para o adulto embutido na criança.
Convivi com crianças muito pequenas num orfanato em Apiaí, SP. Algumas delas tinham marcas e cicatrizes horríveis de espancamento parental. Lembro de um menino de 4 ou 5 anos que tinha a cabeça bastante deformada pois o pai batia nele com vergalhão. Deveríamos falar de Deus a essas crianças. Deus pai, Deus amor. Deus protetor.
Mas foi aquele menino que me falou de Deus, quando com voz doce e quase inaudível disse "papai do chéu".
Que adulto teria tal doçura na voz, após ser espancado brutal e covardemente?
Ingmar nasceu em 1918.
Daniel faz um belíssimo filme com a história do pai e do avô. Eu o vi no cinema apenas uma vez e foi marcante. O filme foi lançado em 1992 (Söndagsbam).
Os suecos acreditam que as crianças nascidas no domingo têm uma sensibilidade especial.
Eu nasci num domingo, às 11 horas da manhã.
Poderia não haver sol, mas havia luz e claridade. Os primeiros dias de novembro não costumam ter o tempo firme. Nasci, pelo que sei, num dia meio "enferruscado".
Havia a luz do dia, acima das nuvens e do mau tempo.
Desde então peguei a claridade das 11 da manhã e tentei torná-la em luz e clareza.
Fui uma criança de domingo na acepção sueca do termo. Meu campo de consciência, de audição, de visão, de percepção sempre foram aguçados.
Precoce em muitos aspectos, tenho memórias bem remotas, por exemplo, de uma noite em que não me sentia bem e chamava por minha mãe... quem veio foi meu pai e perguntou como se pergunta a um adulto "o que é que você quer?". Naquela pergunta dissolveu-se o mal estar anterior dando lugar a um sentimento sólido atravessado na garganta, sentimento de incompreensão do que era o que eu queria, afinal? Como eu poderia (no sentido de ter capacidade) transmitir a meu pai o que eu queria, se eu estava chamando por minha mãe?
Quando se chama pela mãe é porque não sabemos o que queremos, ou sabemos que o consolo da mãe resolverá o mal estar, sem precisarmos saber o que nos incomoda.
Como Ingmar precisei exorcizar coisas que acontecem a todas as crianças, mas que com as crianças de domingo adquirem outra dimensão.
As crianças de domingo necessitam de âncora afetiva, não de puxões de orelha ou perguntas inadequadas.
Crianças de domingo precisam de uma ausculta toda especial. Não é com paus e pedras e dogmas e tábuas de mandamentos que as crianças de domingo vão se adequar ao mundo.
Também não é com preconceitos, julgamentos e condenações.
Gosto de pensar em mim como um espermatozóide valente e campeão numa corrida com milhões de concorrentes! A quantidade enorme de gametas numa fecundação se deve ao elevado número de obstáculos a vencer.
Alcançar a existência exige desde o início a superação de obstáculos.
Tenho pesar em avaliar o quanto uma criança sofre, por ser incompreendida, exigida demais, atada, calada e reprimida. Tenho pelas crianças um sentimento enorme de compaixão, pois carregam fardos quase insuportáveis. É preciso continuar sendo aquele espermatozóide valente e campeão o tempo todo!
Quem trabalha com crianças sabe o quanto o mundo adulto prevarica e abusa delas. Não há maldade nisso. O mundo é que não foi formatado pra incluir as crianças em sua estrutura. O mundo olha apenas para o adulto embutido na criança.
Convivi com crianças muito pequenas num orfanato em Apiaí, SP. Algumas delas tinham marcas e cicatrizes horríveis de espancamento parental. Lembro de um menino de 4 ou 5 anos que tinha a cabeça bastante deformada pois o pai batia nele com vergalhão. Deveríamos falar de Deus a essas crianças. Deus pai, Deus amor. Deus protetor.
Mas foi aquele menino que me falou de Deus, quando com voz doce e quase inaudível disse "papai do chéu".
Que adulto teria tal doçura na voz, após ser espancado brutal e covardemente?
..............................................................................................
Eu nada sei, só sei que toda criança deveria ser tratada como uma criança de domingo.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Navigare necesse; vivere non est necesse".
Escrevi abaixo alguma coisa de minha cabeça oca. Correndo atrás do prejuízo dei com uma monografia que explica melhor a frase, que nem é de Fernando Pessoa. Foi dita por Pompeu, um Big Boss romano, para estimular seus soldados em meio a uma tempestade. Mais tarde Hamburgo pegou a frase emprestada e a inscreveu em seu brasão. Hamburgo é uma cidade portuária alemã.
Enfim, trata-se de uma apologia à aventura, mais do que à vida. A navegar, mais do que a viver. A tornar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.
Sendo assim, mantenho o texto abaixo, mas tento dar u´a melhorada aqui em cima.
Sem esquecer que hoje em dia se navega com total segurança por todo o planeta, sem sair do lugar.
Quando muito, o computador vai junto.
Enfim, trata-se de uma apologia à aventura, mais do que à vida. A navegar, mais do que a viver. A tornar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.
Sendo assim, mantenho o texto abaixo, mas tento dar u´a melhorada aqui em cima.
Sem esquecer que hoje em dia se navega com total segurança por todo o planeta, sem sair do lugar.
Quando muito, o computador vai junto.
quarta-feira, outubro 28, 2009
Navegar é Preciso, Viver não é Preciso

Caso típico de verbo multifuncional.
Navegar é preciso, necessário.
Viver não é preciso, não tem medida certa, não tem precisão na medida.
Embora concorde que navegar é preciso, necessário, também dá pra dizer que navegar não é preciso, não tem parâmetros confiáveis.
Viver não é preciso, não tem parâmetro confiável, mas também viver é necessário, até indispensável.
Navegar é preciso. Viver não é preciso.
Navegar como se fosse exato, viver como se fosse necessário. Navegar como se fosse necessário, viver como se houvesse exatidão.
domingo, outubro 04, 2009
Rio 2016
7 anos (7 é um número cabalístico, representa a perfeição). Temos 6 anos, como no tempo bíblico, pra reinventar o Rio de nossas almas, memória e coração, de modo que serão 6 anos de trabalho árduo - e de preferência honesto - pra deixar o Paraíso pronto, para que no 7º dia haja descanso e se possa dizer: está tudo muito bom.
O Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo, dessas que, parece, Deus cuidou pessoalmente; talhou, moldou, pintou e bordou, com extrema alegria e senso de liberdade...
O Rio de Janeiro pertence às pessoas de bem, de bom gosto e de bem com a vida.
O Rio merece ficar livre de tudo o que não lhe diz respeito.
Em 2009 o Rio de Janeiro estava esvaziado e sem forma, coberto de trevas e de sombras, e à beira do abismo.
Em 2010 alguém, talvez o próprio povo, disse: haja luz. E houve a separação entre a luz e as trevas. E foi notória esta separação. A luz dissipava as trevas e as trevas jamais foram maiores que a luz.
Em 2011 alguém, talvez o próprio povo, disse: haja atmosfera e haja oceanos. E tanto a atmosfera quanto as águas eram próprios para o consumo. Não havia poluição a embargar o livre respirar de tudo o que viria a ter lugar na cidade.
Em 2012 alguém, talvez o próprio povo, disse: que o Rio de Janeiro volte a se cobrir de verde. Que seus montes e vales sejam recuperados pelas plantas e vegetação apropriados.
Em 2013 alguém, talvez o próprio povo, disse: que as estrelas brilhem no firmamento, o sol e a lua. E que este luzir seja suficiente para orientar a cidade no caminho de sua própria luz.
Em 2014 alguém, talvez o próprio povo, disse: que as águas sejam tão puras e habitáveis que haja peixes em abundância, e frutos marinhos da melhor espécie. Que o ar esteja tão puro e propício, que os pássaros e até mesmo as aves migratórias façam do Rio de Janeiro o seu habitat natural.
Em 2015 alguém, talvez o próprio povo, disse: nesse ritmo, quando será criado o homem? Pois havia chegado a vez de criar os seres viventes, começando pelos animais, as bestas feras, cada qual segundo a sua espécie, inclusive e finalmente, o homem.
Em 2016, com a beleza restaurada da cidade mais linda do planeta, a belíssima cidade reinventada recebeu legiões de pessoas para uma das mais emocionantes festas de confraternização e atualização de potência pessoal e coletiva.
Sem favelas, sem favelados, sem esgoto a céu aberto, sem poluição, sem mau cheiro, sem milícias e comandos, sem drogas e drogados, sem a desídia municipal, estadual e federal; sem vagabundos e trambiqueiros em geral; sem mais ninguém, senão o sopro divinal encarnado na mais perfeita tradução do brasileiro: o carioca verdadeiro.
E viva o Rio de Janeiro!
O Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo, dessas que, parece, Deus cuidou pessoalmente; talhou, moldou, pintou e bordou, com extrema alegria e senso de liberdade...
O Rio de Janeiro pertence às pessoas de bem, de bom gosto e de bem com a vida.
O Rio merece ficar livre de tudo o que não lhe diz respeito.
Em 2009 o Rio de Janeiro estava esvaziado e sem forma, coberto de trevas e de sombras, e à beira do abismo.
Em 2010 alguém, talvez o próprio povo, disse: haja luz. E houve a separação entre a luz e as trevas. E foi notória esta separação. A luz dissipava as trevas e as trevas jamais foram maiores que a luz.
Em 2011 alguém, talvez o próprio povo, disse: haja atmosfera e haja oceanos. E tanto a atmosfera quanto as águas eram próprios para o consumo. Não havia poluição a embargar o livre respirar de tudo o que viria a ter lugar na cidade.
Em 2012 alguém, talvez o próprio povo, disse: que o Rio de Janeiro volte a se cobrir de verde. Que seus montes e vales sejam recuperados pelas plantas e vegetação apropriados.
Em 2013 alguém, talvez o próprio povo, disse: que as estrelas brilhem no firmamento, o sol e a lua. E que este luzir seja suficiente para orientar a cidade no caminho de sua própria luz.
Em 2014 alguém, talvez o próprio povo, disse: que as águas sejam tão puras e habitáveis que haja peixes em abundância, e frutos marinhos da melhor espécie. Que o ar esteja tão puro e propício, que os pássaros e até mesmo as aves migratórias façam do Rio de Janeiro o seu habitat natural.
Em 2015 alguém, talvez o próprio povo, disse: nesse ritmo, quando será criado o homem? Pois havia chegado a vez de criar os seres viventes, começando pelos animais, as bestas feras, cada qual segundo a sua espécie, inclusive e finalmente, o homem.
Em 2016, com a beleza restaurada da cidade mais linda do planeta, a belíssima cidade reinventada recebeu legiões de pessoas para uma das mais emocionantes festas de confraternização e atualização de potência pessoal e coletiva.
Sem favelas, sem favelados, sem esgoto a céu aberto, sem poluição, sem mau cheiro, sem milícias e comandos, sem drogas e drogados, sem a desídia municipal, estadual e federal; sem vagabundos e trambiqueiros em geral; sem mais ninguém, senão o sopro divinal encarnado na mais perfeita tradução do brasileiro: o carioca verdadeiro.
E viva o Rio de Janeiro!
terça-feira, setembro 29, 2009
A Arte de Enfrentar Engarrafamentos
Mais cedo ou mais tarde acontece de você escrever um mini manual sobre qualquer assunto, relevante ou não.
Minha teoria sobre como fazer o sinal (de trânsito, o semáfaro) abrir, tem se mostrado infalível, nas repetidas vezes em que tem sido aplicada por mim e pelas pessoas que a conhecem.
Em primeira mão, vejam como é simples fazer um sinal abrir: procure o batom na sua bolsa. É infalível: assim que você põe a mão na bolsa o sinal abre!
Quanto aos engarrafamentos, não tenho nenhuma teoria, mas algumas sugestões pra uso imediato:
1) Passe torpedos (é um pouco arriscado, não deve ser tentado por qq pessoa);
2) Telefone usando o viva-voz; ponha os assuntos em dia, atualize sua vida social e/ou profissional.
3) Se estiver a fim, aproveite pra arrumar a sua bolsa.
4) Aposte consigo mesma(o) de que lado do carro passarão mais motoqueiros, durante um período de 10 minutos, por exemplo.
5) Procure a chave de casa dentro da bolsa.
6) Tente entender porque alguns motoristas sem nenhuma habilidade ficam tentando adivinhar qual fila vai andar mais rápido, e acabam atravessados na pista.
7) Tente ignorar a existência das vans e suas piscadas de farol.
8) Ligue o rádio na Voz do Brasil e se surpreenda: o Maluf é deputado federal? o
Albano Franco acha que o governo tem gasto muito mais dinheiro pra atender as vítimas das chuvas do que "propriamente" pra preveni-las? Agripino Maia é a favor de governos democratas na América Central? José de Sarney assinou a lei que proíbe a compra de votos? Artur Virgílio está indignado com a não destinação de verbas pros municípios? O Ministro das Relações Exteriores foi contra o empréstimo de um avião da FAB para transportar o presidente golpeado de Honduras? Afinal, o Brasil deu asilo político, ou ofereceu apenas uma hospedagem 0800 pro Zelaya e mais sessenta pessoas?
9) Mas a GRANDE DICA é: tenha sempre à mão uma embalagem brasileira pra abrir. Qualquer embalagem. Tem o copo de mate Leão, que até matar um leão de fato deve ser mais fácil. Recomendo as embalagens de castanhas, amendoins, até mesmo de confetes. É muito relaxante quando você consegue abrir a embalagem e toma um banho de mate ou vê, perplexo, as castanhas, amendoins e confetes saltando como fogos de artifício bem diante dos seus olhos!
Mas a embalagem campeã, que comprovadamente resiste a qualquer engarrafamento, é a do remédio Toragesic sublingual. É um anti-inflamatório excelente. Mas tente tirar o algodão de dentro do frasco! O algodão vem aos fiapos! Não se consegue tirar o algodão todo de um vez, pode esquecer! Ele vem, quando vem, em módicas parcelas. Por fim, quando você menos espera, sai aquele chumação! Pode jogar a metade fora e mesmo assim seu próximo engarrafamento estará garantido.
10) No mais, torça pra que, ao entrar no condomínio, você não precise esperar um "braço duro manobrar" numa vaga facílima...
Minha teoria sobre como fazer o sinal (de trânsito, o semáfaro) abrir, tem se mostrado infalível, nas repetidas vezes em que tem sido aplicada por mim e pelas pessoas que a conhecem.
Em primeira mão, vejam como é simples fazer um sinal abrir: procure o batom na sua bolsa. É infalível: assim que você põe a mão na bolsa o sinal abre!
Quanto aos engarrafamentos, não tenho nenhuma teoria, mas algumas sugestões pra uso imediato:
1) Passe torpedos (é um pouco arriscado, não deve ser tentado por qq pessoa);
2) Telefone usando o viva-voz; ponha os assuntos em dia, atualize sua vida social e/ou profissional.
3) Se estiver a fim, aproveite pra arrumar a sua bolsa.
4) Aposte consigo mesma(o) de que lado do carro passarão mais motoqueiros, durante um período de 10 minutos, por exemplo.
5) Procure a chave de casa dentro da bolsa.
6) Tente entender porque alguns motoristas sem nenhuma habilidade ficam tentando adivinhar qual fila vai andar mais rápido, e acabam atravessados na pista.
7) Tente ignorar a existência das vans e suas piscadas de farol.
8) Ligue o rádio na Voz do Brasil e se surpreenda: o Maluf é deputado federal? o
Albano Franco acha que o governo tem gasto muito mais dinheiro pra atender as vítimas das chuvas do que "propriamente" pra preveni-las? Agripino Maia é a favor de governos democratas na América Central? José de Sarney assinou a lei que proíbe a compra de votos? Artur Virgílio está indignado com a não destinação de verbas pros municípios? O Ministro das Relações Exteriores foi contra o empréstimo de um avião da FAB para transportar o presidente golpeado de Honduras? Afinal, o Brasil deu asilo político, ou ofereceu apenas uma hospedagem 0800 pro Zelaya e mais sessenta pessoas?
9) Mas a GRANDE DICA é: tenha sempre à mão uma embalagem brasileira pra abrir. Qualquer embalagem. Tem o copo de mate Leão, que até matar um leão de fato deve ser mais fácil. Recomendo as embalagens de castanhas, amendoins, até mesmo de confetes. É muito relaxante quando você consegue abrir a embalagem e toma um banho de mate ou vê, perplexo, as castanhas, amendoins e confetes saltando como fogos de artifício bem diante dos seus olhos!
Mas a embalagem campeã, que comprovadamente resiste a qualquer engarrafamento, é a do remédio Toragesic sublingual. É um anti-inflamatório excelente. Mas tente tirar o algodão de dentro do frasco! O algodão vem aos fiapos! Não se consegue tirar o algodão todo de um vez, pode esquecer! Ele vem, quando vem, em módicas parcelas. Por fim, quando você menos espera, sai aquele chumação! Pode jogar a metade fora e mesmo assim seu próximo engarrafamento estará garantido.
10) No mais, torça pra que, ao entrar no condomínio, você não precise esperar um "braço duro manobrar" numa vaga facílima...
quinta-feira, setembro 24, 2009
Viver e Morrer Entre os Seus
Meu avô espanhol morreu aos 87 anos de idade; poderia ter vivido mais 20 anos. Meu pai morreu aos 80, poderia ter vivido, bem!, mais 10 anos.
Minha tia Luciana, a irmã mais velha de papai, tem 86 anos e não está bem.
Quando meu avô morreu, na hora mesma de morrer, foi só o tempo de minha tia chegar do Mato Grosso e fazer uma oração.
Eu era adolescente e ponderei: ele só esperou ela chegar. Essa frase fez papai chorar porque sabia que era verdade; sabia que as almas que se amam anseiam uma pela outra antes de partir.
Meu pai morreu num dia 15 de novembro, feriado, com a família inteira no hospital, na hora da visita.
O Pastor Fanini também morreu entre os seus.
Eu fico admirada com essas "coincidências", porque... qual o quê!
Não há coincidências.
Nascemos, vivemos e morremos junto dos nossos. Esse é o desejo final da alma ao se despir do velho, bom e cansado corpo.
Ficar entre os seus; ser consolada pelos seus; consolar os seus.
Acompanhamos esse vai e vem na estação. Uns partindo, outros chegando... e as almas que se amam esperando uma despedida, uma oração, um salmo... um sinal, um apito, um grito "all aboard!"
Vai, minha alma, suave e lentamente, depositar um beijo de adeus naquele que se vai. Não se faça esperar.
E depois volte ligeiro pra perto dos seus.
Minha tia Luciana, a irmã mais velha de papai, tem 86 anos e não está bem.
Quando meu avô morreu, na hora mesma de morrer, foi só o tempo de minha tia chegar do Mato Grosso e fazer uma oração.
Eu era adolescente e ponderei: ele só esperou ela chegar. Essa frase fez papai chorar porque sabia que era verdade; sabia que as almas que se amam anseiam uma pela outra antes de partir.
Meu pai morreu num dia 15 de novembro, feriado, com a família inteira no hospital, na hora da visita.
O Pastor Fanini também morreu entre os seus.
Eu fico admirada com essas "coincidências", porque... qual o quê!
Não há coincidências.
Nascemos, vivemos e morremos junto dos nossos. Esse é o desejo final da alma ao se despir do velho, bom e cansado corpo.
Ficar entre os seus; ser consolada pelos seus; consolar os seus.
Acompanhamos esse vai e vem na estação. Uns partindo, outros chegando... e as almas que se amam esperando uma despedida, uma oração, um salmo... um sinal, um apito, um grito "all aboard!"
Vai, minha alma, suave e lentamente, depositar um beijo de adeus naquele que se vai. Não se faça esperar.
E depois volte ligeiro pra perto dos seus.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Patrick Swayze
Foi-se, com a minha idade. Lutou contra males que (ainda) desconheço. Considero-me uma felizarda? Not at all.
Lamentei desde o princípio, amigo.
I´m so sorry about your pain, my friend.
Morrer não é nada.
Morrer não é nada, comparado ao sofrimento, à carbonização em vida, a esse processo de descolar a alma do corpo, deixar sair o espírito, romper a membrana espessa do desconhecido...
Você foi nosso Ghost camarada. Ensinou mais sobre a vida e a morte que milhares de prédicas somadas e multiplicadas.
Encarnou a solidariedade in the City of Joy. Oh, amigo, amigo!
Dançou. Dançou, dançou. Com pernas, braços, pupilas e sorrisos luminosos.
Dançou pra nossa geração. Dançou por nossa geração.
Que haja muito espaço pros teus passos, amigo.
Que teu palco seja iluminado por estrelas e sóis e luas e cometas...
Que a luz nunca te falte.
A paz.
A cura.
O descanso e a brandura.
Que milhares de anjos te reconheçam no primeiro segundo e te sigam e protejam e guardem e guiem e consolem e curem e te restabeleçam.
Pois foste para mim um príncipe encantado.
The world is round and the place which may seem like the end may also be the beginning.
(Ivy Baker Priest)
quarta-feira, setembro 09, 2009
09/09 - Dia do Veterinário

Quando nós morávamos no Rio, não tínhamos o que dizer dos veterinários lá de casa. Policlínica Veterinária Ipiranga e ponto final. Competentes e gentis, da recepcionista ao faxineiro. As velhinhas do Flamengo e Laranjeiras depositavam seus tesouros com inteira confiança nas mãos do Dr. Aristeu e seus colegas.
Aqui no interior, encontramos o Dr. Jefferson Farias, que além de competente e Homeopata, é um excelente entendendor de bichos e de donos de bichos.
Foi ele que ficou com minha gatinha Bibibe quando eu precisei viajar e ela estava muito doente.
terça-feira, setembro 08, 2009
Vitória-Régia Coelho Mello

Vitória-Régia é uma pessoa rara. Eu procuro fugir dos chavões e reafirmo: Vitória-Régia é uma pessoa rara.
É o porto seguro, mas também a gaivota, os barcos e as histórias de pescador.
A estação de trem, mas também as viagens, as chegadas, partidas e o moço bonito que senta ao lado.
O aeroporto, mas também as decolagens, os vôos e a voz do comandante
(my God!).
A casa, mas também a rua.
O indivíduo, mas também a humanidade.
Ela, mas também os outros.
Sem querer ser exemplo de nada, tornou-se exemplar em tudo.
Ao cumprir mais um ano, festejou-o com uma celebração sex-agenária! Cantou, dançou, rodopiou, riu, emocionou e nas entrelinhas disse a quem tivesse ouvidos: meus filhos, parem de empatar a vida! A vida pode até ter obstáculos, mas não vamos piorar as coisas, certo? Vão à luta, crianças! Corram atrás dos seus sonhos! Estabeleçam metas! Quebrem paradigmas! Criem novas formas de ser feliz! Parem com essa caretice de que dependem de alguém ou de alguma coisa pra serem felizes! Dêm um tempo nessa choradeira sem fim! Vão fazer aula de dança! Vão fazer aula de canto! Vão tratar de viver a vida, porque de tão bela e curta, já é!
Com seu espírito livre é uma âncora. Com seu aparente laissez-faire chama direitinho à responsa!
É bússola, é mapa, é GPS!
Quem quiser ser feliz que a siga!
Ela ama intensamente e tudo o mais vem por acréscimo.
Este blog lhe deseja vitória!
Mais que vitória: Vitória-Régia!
É o porto seguro, mas também a gaivota, os barcos e as histórias de pescador.
A estação de trem, mas também as viagens, as chegadas, partidas e o moço bonito que senta ao lado.
O aeroporto, mas também as decolagens, os vôos e a voz do comandante
(my God!).
A casa, mas também a rua.
O indivíduo, mas também a humanidade.
Ela, mas também os outros.
Sem querer ser exemplo de nada, tornou-se exemplar em tudo.
Ao cumprir mais um ano, festejou-o com uma celebração sex-agenária! Cantou, dançou, rodopiou, riu, emocionou e nas entrelinhas disse a quem tivesse ouvidos: meus filhos, parem de empatar a vida! A vida pode até ter obstáculos, mas não vamos piorar as coisas, certo? Vão à luta, crianças! Corram atrás dos seus sonhos! Estabeleçam metas! Quebrem paradigmas! Criem novas formas de ser feliz! Parem com essa caretice de que dependem de alguém ou de alguma coisa pra serem felizes! Dêm um tempo nessa choradeira sem fim! Vão fazer aula de dança! Vão fazer aula de canto! Vão tratar de viver a vida, porque de tão bela e curta, já é!
Com seu espírito livre é uma âncora. Com seu aparente laissez-faire chama direitinho à responsa!
É bússola, é mapa, é GPS!
Quem quiser ser feliz que a siga!
Ela ama intensamente e tudo o mais vem por acréscimo.
Este blog lhe deseja vitória!
Mais que vitória: Vitória-Régia!
terça-feira, setembro 01, 2009
A Alma Boa de Setsuan

"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida;
Estes são os imprescindíveis" (Bertolt Brecht).
Com a peça "A Alma Boa de Setsuan", Brecht recorre ao mito de Deus procurando por uma só alma bondosa, de modo a dissuadí-lo de acabar com o mundo. Tal pessoa, na peça, é alguém que abre mão de seus próprios desejos para satisfazer ao outro. E mesmo agraciada com uma fortuna, acaba perdendo-a, por não saber se livrar dos aproveitadores. A saída para ela foi criar um outro personagem, este sim, capaz de dizer não e impor limites.
Brecht escreveu, não importa quando, para a modernidade. Pensando numa sociedade organizada e científica. Sua escrita projeta os problemas humanos de modo muito contundente e se recusa a oferecer qualquer resposta. Quer que pensemos. Quer que deixemos a zona de conforto. Quer que sejamos capazes de acreditar em mudanças, sejam quais forem as circunstâncias. Hoje a psicologia até enquadra aspectos de A Alma Boa de Setsuan no conceito de co-dependência...
Mas, é claro, não é isso que interessa!
Lembrei dessa peça hoje, no seu aniversário, Professor José César Monteiro de Queiróz. Você se enquadra perfeitamente no título dessa peça. Uma Alma Boa.
Uma pessoa boa.
Um companheiro solidário.
Uma presença marcante.
Um abraço genuíno.
Imprescindível.
Se fosse no tempo de Noé, você estaria na Arca. No tempo de Ló, escaparia da destruição. E em Setsuan, Brecht encontraria você!
sábado, agosto 29, 2009
Two Lovers
Esse filme escrito e dirigido por James Gray - um sujeito abusado que no filme de estréia (Little Odessa) escalou Tim Roth e Vanessa Redgrave, sem falar em Maximiliam Schell. Foi uma estréia luxuosa e premiada: ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza em 1994, ano do filme. O cara tinha 24 anos!
Quinze anos depois escreve e dirige "Two Lovers". Em Portugal, Duplo Amor. No Brasil, Amantes.
Gostaria de saber o que Gray quis dizer ao nomear seu filme, pois na história aparecem dois ou três amantes, e o tema recorrente de seus filmes volta apenas um pouco abrandado por paixões, mas continua sendo a história de imigrantes que procuram a América com um instinto libertador quase desesperado, e se tornam igualmente desesperados e aflitos para manter sua identidade cultural. A América seria apenas um lugar arejado...
Two Lovers conta a história de uma família judia que toca um negócio familiar e espera fazer uma fusão com outra família do mesmo ramo e da mesma origem, inconscientemente incluindo na transação o filho (Joaquin Phoenix) muito perturbado.
Leonard é americano "atípico", que já deveria estar casado, mas ainda mora com os pais.
A primeira cena do filme mostra o que será o personagem: encharcado de emoções, instável, imprevisível, cheio de cicatrizes mal curadas.
Enquanto a gente vê um filme vai fazendo outro filme. Essa é a força do cinema.
Tive dificuldade em escrever meu filme, pois Two Lovers tem uma densidade dramática anormal, mas saí do cinema com uma idéia fixa: o amor da mãe (judia) é inquestionável.
E a namorada judia, a quem ele não queria tanto assim, lhe prometeu claramente ser como uma mãe pra ele: vou cuidar de você.
A mãe percebeu que Leonard iria fugir com a mulher por quem era apaixonado e lhe disse: você sempre poderá voltar pra sua casa.
Leonard não apenas volta pra casa, como também termina o filme abraçado à namorada judia, pois foi abandonado pela mulher que amava.
Amor é o que deixa ir e recebe de volta com a mesma naturalidade e singeleza - no filme representado pela belíssima Isabella Rossellini.
Não sei o que se passa com as mulheres nas famílias judias; mas os homens, certamente, têm uma necessidade visceral do amor de suas mães.
Quinze anos depois escreve e dirige "Two Lovers". Em Portugal, Duplo Amor. No Brasil, Amantes.
Gostaria de saber o que Gray quis dizer ao nomear seu filme, pois na história aparecem dois ou três amantes, e o tema recorrente de seus filmes volta apenas um pouco abrandado por paixões, mas continua sendo a história de imigrantes que procuram a América com um instinto libertador quase desesperado, e se tornam igualmente desesperados e aflitos para manter sua identidade cultural. A América seria apenas um lugar arejado...
Two Lovers conta a história de uma família judia que toca um negócio familiar e espera fazer uma fusão com outra família do mesmo ramo e da mesma origem, inconscientemente incluindo na transação o filho (Joaquin Phoenix) muito perturbado.
Leonard é americano "atípico", que já deveria estar casado, mas ainda mora com os pais.
A primeira cena do filme mostra o que será o personagem: encharcado de emoções, instável, imprevisível, cheio de cicatrizes mal curadas.
Enquanto a gente vê um filme vai fazendo outro filme. Essa é a força do cinema.
Tive dificuldade em escrever meu filme, pois Two Lovers tem uma densidade dramática anormal, mas saí do cinema com uma idéia fixa: o amor da mãe (judia) é inquestionável.
E a namorada judia, a quem ele não queria tanto assim, lhe prometeu claramente ser como uma mãe pra ele: vou cuidar de você.
A mãe percebeu que Leonard iria fugir com a mulher por quem era apaixonado e lhe disse: você sempre poderá voltar pra sua casa.
Leonard não apenas volta pra casa, como também termina o filme abraçado à namorada judia, pois foi abandonado pela mulher que amava.
Amor é o que deixa ir e recebe de volta com a mesma naturalidade e singeleza - no filme representado pela belíssima Isabella Rossellini.
Não sei o que se passa com as mulheres nas famílias judias; mas os homens, certamente, têm uma necessidade visceral do amor de suas mães.
Joaquin Phoenix
É meu ator preferido de todos os tempos.
Ele tem uma cicatriz.
Os artistas que têm marcas faciais, distúrbios vocais e orelhas de abano têm o meu respeito.
Joaquin não valoriza a cicatriz, mas não a esconde. Como não se trata de fenda palatina, poderia ter feito uma plástica.
Há cicatrizes que valem ouro.
Valem mais que o selo do rei, a marca do dono...
Quem lida bem com suas cicatrizes interiores lida melhor ainda com as exteriores, e vice-versa.
Ele tem uma cicatriz.
Os artistas que têm marcas faciais, distúrbios vocais e orelhas de abano têm o meu respeito.
Joaquin não valoriza a cicatriz, mas não a esconde. Como não se trata de fenda palatina, poderia ter feito uma plástica.
Há cicatrizes que valem ouro.
Valem mais que o selo do rei, a marca do dono...
Quem lida bem com suas cicatrizes interiores lida melhor ainda com as exteriores, e vice-versa.
quarta-feira, agosto 26, 2009
As Brumas de Ouro Preto


Os mineiros de Ouro Preto são apaixonados por sua cidade e quando se referem a ela, mudam o olhar na direção do horizonte e começam a falar como em transe, que sua cidade é mais que seu lugar, seu pai, sua mãe, sua raiz.
Há em seu olhar um brilho enviezado, quase turvo, molhado de quase-lágrimas, pois é como se falassem da mãe e do pai, da avó e do avô, do português e do escravo, das minas escuras e cheias de riquezas, do sonho eternamente sonhado de permanecer abrigado entre as montanhas de sua terra.
O mineiro tem muitos úteros. É parido de mãe, mas é parido da natureza, do passado, da história, da derrama, da inconfidência. O mineiro tem uma enorme mãe natureza, formada por montanhas cujo segredo não se sabe, cuja vista não se alcança e cujo colo não tem fim.
Há um amor recolhido e reprimido no mineiro, mal e mal expresso no riso pela metade, na palavra pela metade, no abraço e no aperto de mão tão tímidos...
Mas há um brilho, uma chama, um recurso mineral atômico dentro dele. Não explode, irradia.
O mineiro tem muitos fantasmas e adora histórias do outro mundo. O outro mundo é o que mais lhe atrai. Quem vive cercado de História, vive assombrado por fantasmas.
O mineiro vê com muito prazer e temor os fantasmas que se esgueiram pelas ruas escuras de suas cidades.
Quando uma igreja começa a tocar o sino, é o próprio coração do mineiro que soa metálico, pesado, lento, firme e cheio de uma paixão que se arrasta pelas ruas, sobe as ladeiras e some na escuridão ou na bruma.
Ainda não vivi uma experiência mais comovente do que o entardecer dessas fotos, ao som de música barroca que eu não sabia de onde vinha, mas imaginei: vem de todos as partes desta cidade mágica, vem dos lábios semi-cerrados do mineiro balbuciando como criança de colo.
terça-feira, agosto 18, 2009
Sacrifício
Em meu precário entendimento, sacrifício deriva de SACRO OFÍCIO. Um fazer sagrado.
Em todas as civilizações ditas esplêndidas houve sacrifícios. Alguns, como os gregos antigos, aztecas e maias, eram sacrifícios humanos, especialmente de crianças, com o fim de adular as divindades.
Hoje os sacrifícios de cunho religioso ainda são praticados de forma clandestina em algumas regiões do planeta.
Para os cristãos, Jesus representou o sacrifício perfeito, pois aboliu a necessidade de mais sacrifícios de sangue.
Pessoas raras assumem missões que envolvem o termo sacrifício. No entender delas, na verdade não é sacrifício, é doação, é bem. É sacro ofício. É fazer com o coração e por bondade. Essas pessoas raras dizem que recebem muito mais do que dão.
Penso que de uma forma ou de outra o sacrifício é o outro nome de nossa atmosfera. Não tem como fugir. Continuam, aos milhões, sacrifícios de sangue e de pessoas, ao redor do Planeta, de modo informal e invisível à maioria dos olhares.
Todos temos a nossa cota de sacrifício. Se alguns abdicam de suas cotas, alguém tem que cumprí-las. É matemático.
Somos o resultado de muitos esforços, que não são nossos.
(Georges Chevrot, Paris. * 08/01/1879 + 04/02/1958)
Em todas as civilizações ditas esplêndidas houve sacrifícios. Alguns, como os gregos antigos, aztecas e maias, eram sacrifícios humanos, especialmente de crianças, com o fim de adular as divindades.
Hoje os sacrifícios de cunho religioso ainda são praticados de forma clandestina em algumas regiões do planeta.
Para os cristãos, Jesus representou o sacrifício perfeito, pois aboliu a necessidade de mais sacrifícios de sangue.
Pessoas raras assumem missões que envolvem o termo sacrifício. No entender delas, na verdade não é sacrifício, é doação, é bem. É sacro ofício. É fazer com o coração e por bondade. Essas pessoas raras dizem que recebem muito mais do que dão.
Penso que de uma forma ou de outra o sacrifício é o outro nome de nossa atmosfera. Não tem como fugir. Continuam, aos milhões, sacrifícios de sangue e de pessoas, ao redor do Planeta, de modo informal e invisível à maioria dos olhares.
Todos temos a nossa cota de sacrifício. Se alguns abdicam de suas cotas, alguém tem que cumprí-las. É matemático.
Somos o resultado de muitos esforços, que não são nossos.
(Georges Chevrot, Paris. * 08/01/1879 + 04/02/1958)
segunda-feira, agosto 10, 2009
Joaquim Mancebo Reis

Nasceu em 24 de fevereiro de 1925. Foi o terceiro filho de uma fornada de 16. Recebeu o nome do pai, Joaquim. Esse pai redimiu seu filho concreta e objetivamente, sem trêlêlê, logo de cara, sem mais-mais! Sendo ele (o pai) ateu, citou salomonicamente o episódio de Davi e resolveu ali, na hora, na bucha, de imediato, uma questão que teria ficado na salmoura da culpa por muito tempo! Não é qualquer um que na primeira cagada recebe a chancela do pai! É ou não é? O cara tem que estar podendo!!!
Diz a lenda que era moleque, muito moleque. Um de seus apelidos era "pintinho", pois gostava de enterrar os filhotes da galinha deixando só os biquinhos de fora, pra ouvir o piado.
Em função disto tornou-se um músico excepcional! Tomou algumas aulas por não mais que 2 meses e caiu fora, ou melhor, caiu dentro!
Era muito afinado e tornou-se um regente formidável! Todo mundo lembra de sua regência elegante e de sua voz fazendo o baixo nas melodias que aguentavam uma harmonia básica.
Fora isso foi um namorador inveterado. Um grande sedutor! Suas histórias com mulheres apaixonadas e enciumadas se resumem na seguinte: não compareceu ao casamento da irmã, pois duas de suas namoradas estariam presentes!!!
Na sua formação entrou um tio que emitiu sobre ele um comentário não muito favorável, do tipo, "esse aí não vai prestar pra nada", e podemos considerar que o segundo resgate de Joaquim Mancebo Reis aconteceu aí. Ah, é? Vamos ver quem não vai prestar pra nada! Eu que não vou te dar esse gostinho!
Essa fala desqualificadora foi crucial na vida dele, e teve um efeito propulsivo pra outra banda, que eu diria, olha, nem o mais celebrado motivador de pessoas teria feito melhor. Nem o Oscar Schmidt, nem o Bernardinho (apesar da fúria), nem o Amir Klink!
Com o nome do pai e ainda por cima, com a chancela do pai, quem iria dizer que Joaquim Mancebo Reis não seria um sucesso completo?
Quem?
Vivam os tios que mexem com os brios!!! Viva a rima fácil (hahahaha)!!!
Tornou-se um amante do trabalho e de tudo o que o trabalho poderia lhe trazer. Não se fez de rogado quando a fortuna lhe sorriu.
Tinha a característica singular de considerar que o outro é que estava muito bem de vida! Marotice de comerciante, não se iludam! Ô, seu Joaquim Mancebo Reis!... Que que é isso? Conta outra, né?
Como tudo começou com Davi, era natural que terminasse com ele. Joaquim Mancebo Reis, assim como Davi, foi um homem segundo o coração de Deus.
Protegido por Deus. Guardado por Deus. Amado por Deus. Amado por todos. Para sempre muito amado.
(continua)
Diz a lenda que era moleque, muito moleque. Um de seus apelidos era "pintinho", pois gostava de enterrar os filhotes da galinha deixando só os biquinhos de fora, pra ouvir o piado.
Em função disto tornou-se um músico excepcional! Tomou algumas aulas por não mais que 2 meses e caiu fora, ou melhor, caiu dentro!
Era muito afinado e tornou-se um regente formidável! Todo mundo lembra de sua regência elegante e de sua voz fazendo o baixo nas melodias que aguentavam uma harmonia básica.
Fora isso foi um namorador inveterado. Um grande sedutor! Suas histórias com mulheres apaixonadas e enciumadas se resumem na seguinte: não compareceu ao casamento da irmã, pois duas de suas namoradas estariam presentes!!!
Na sua formação entrou um tio que emitiu sobre ele um comentário não muito favorável, do tipo, "esse aí não vai prestar pra nada", e podemos considerar que o segundo resgate de Joaquim Mancebo Reis aconteceu aí. Ah, é? Vamos ver quem não vai prestar pra nada! Eu que não vou te dar esse gostinho!
Essa fala desqualificadora foi crucial na vida dele, e teve um efeito propulsivo pra outra banda, que eu diria, olha, nem o mais celebrado motivador de pessoas teria feito melhor. Nem o Oscar Schmidt, nem o Bernardinho (apesar da fúria), nem o Amir Klink!
Com o nome do pai e ainda por cima, com a chancela do pai, quem iria dizer que Joaquim Mancebo Reis não seria um sucesso completo?
Quem?
Vivam os tios que mexem com os brios!!! Viva a rima fácil (hahahaha)!!!
Tornou-se um amante do trabalho e de tudo o que o trabalho poderia lhe trazer. Não se fez de rogado quando a fortuna lhe sorriu.
Tinha a característica singular de considerar que o outro é que estava muito bem de vida! Marotice de comerciante, não se iludam! Ô, seu Joaquim Mancebo Reis!... Que que é isso? Conta outra, né?
Como tudo começou com Davi, era natural que terminasse com ele. Joaquim Mancebo Reis, assim como Davi, foi um homem segundo o coração de Deus.
Protegido por Deus. Guardado por Deus. Amado por Deus. Amado por todos. Para sempre muito amado.
(continua)
quarta-feira, agosto 05, 2009
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